Por: Equipe Médica do Dr. Alergia Conteúdo revisado e atualizado por especialistas em Alergia e Imunologia.

Vacina de Alergia: Como Funciona a Imunoterapia e o Que Esperar do Tratamento



A chamada vacina de alergia é, na verdade, um tratamento chamado imunoterapia com alérgenos. Em vez de agir apenas sobre os sintomas da alergia, ela tenta modificar a forma como o sistema imunológico reage à substância que provoca esses sintomas.

É uma diferença importante. Um antialérgico pode diminuir espirros, coceira ou coriza enquanto está fazendo efeito. A imunoterapia tem outro objetivo: fazer com que o organismo se torne progressivamente menos sensível ao alérgeno.

Isso também explica por que o tratamento não começa simplesmente com a aplicação de uma vacina.

Primeiro é preciso descobrir exatamente o que está sendo tratado

Ter rinite, asma ou outros sintomas compatíveis com alergia não é suficiente para indicar imunoterapia.

O alergista precisa relacionar os sintomas à exposição a um alérgeno específico. Ácaros, pólens, fungos, epitélios de animais e venenos de insetos estão entre os alérgenos que podem estar envolvidos, dependendo do caso.

Essa investigação combina a história clínica com testes de alergia, como o teste cutâneo e a pesquisa de IgE específica. O importante não é apenas encontrar uma sensibilização no exame. Ela precisa fazer sentido diante dos sintomas apresentados pelo paciente.

A partir daí é possível preparar o tratamento com os extratos alergênicos correspondentes.

A quantidade de alérgeno começa pequena de propósito

Pode parecer estranho tratar uma alergia expondo o paciente justamente àquilo que provoca a reação. Mas a quantidade e a progressão dessa exposição fazem toda a diferença.

A primeira parte da imunoterapia é chamada de fase de indução. O tratamento começa com concentrações menores do extrato alergênico e elas são aumentadas progressivamente.

O objetivo não é provocar uma crise. É encontrar uma concentração capaz de reduzir a resposta alérgica e controlar melhor os sintomas, mantendo uma boa tolerância ao tratamento.

Nas primeiras semanas, portanto, não é necessariamente esperado que o paciente já esteja muito melhor. Boa parte desse período ainda faz parte da construção da dose adequada.

E é justamente por isso que a trajetória importa mais do que uma aplicação isolada.

A melhora costuma aparecer aos poucos

Depois de algum tempo, começam a ficar mais perceptíveis mudanças como crises menos frequentes, sintomas menos intensos ou menor necessidade de medicamentos para controlá-los.

Isso não acontece exatamente da mesma forma para todos. A resposta depende da alergia tratada, do alérgeno envolvido e da resposta individual do organismo.

Na prática clínica da Dr. Alergia, já deve existir melhora dentro de aproximadamente seis meses. Esse período também permite avaliar se a imunoterapia está realmente produzindo o controle esperado.

Se a resposta fica abaixo do esperado, o tratamento não precisa simplesmente continuar por anos na esperança de que alguma coisa aconteça. O caso é reavaliado, novos exames podem ser feitos e outras possibilidades de tratamento consideradas. Em situações específicas, isso pode incluir tratamentos imunobiológicos.

Existe, portanto, uma sequência de decisões durante o tratamento.

Depois de encontrar a dose, começa a parte mais longa

Quando a concentração adequada consegue controlar os sintomas, começa a fase de manutenção.

A lógica agora muda. Em vez de continuar aumentando continuamente a quantidade do alérgeno, mantém-se a concentração que produziu aquela resposta.

Essa fase costuma durar bastante tempo. Em muitos tratamentos de imunoterapia, o período completo fica entre três e cinco anos.

Pode parecer longo, mas isso está relacionado ao próprio objetivo da imunoterapia. Ela não está tentando apenas impedir uma crise naquela semana. A exposição repetida ao alérgeno, em condições controladas, busca produzir uma tolerância mais estável do sistema imunológico.

É daí que vem a possibilidade de o benefício continuar mesmo depois que o tratamento termina.

Injeção e gotas fazem parte da mesma estratégia

A imunoterapia pode ser administrada principalmente de duas formas.

Na imunoterapia subcutânea, ou SCIT, o extrato alergênico é aplicado por injeções. Essas aplicações normalmente são feitas em ambiente médico, justamente porque existe a possibilidade de reações mais importantes.

Na imunoterapia sublingual, ou SLIT, o alérgeno é colocado sob a língua, geralmente na forma de gotas ou comprimidos. Depois da orientação médica inicial, boa parte desse tratamento pode ser feita em casa.

As duas formas trabalham com o mesmo princípio: exposição progressiva e controlada ao alérgeno. A escolha depende do tipo de alergia, dos extratos disponíveis, do perfil do paciente e da avaliação do alergista.

Na forma sublingual, a regularidade do uso em casa também passa a fazer parte do tratamento. Na forma injetável, a rotina depende mais das aplicações programadas.

Nem toda alergia leva à imunoterapia

A imunoterapia é particularmente conhecida pelo tratamento de alergias respiratórias, como rinite alérgica, rinoconjuntivite e alguns casos de asma alérgica. Também tem uma indicação importante nas alergias ao veneno de insetos, como abelhas e vespas.

Mas encontrar um teste positivo não significa automaticamente que a pessoa precise de vacina de alergia.

A decisão depende da intensidade e frequência dos sintomas, da importância daquele alérgeno para o quadro, da resposta aos outros tratamentos e da possibilidade de reduzir a exposição.

Também existem situações em que a imunoterapia pode não ser indicada ou exigir cuidados adicionais, como alguns casos de asma não controlada, determinadas condições clínicas e durante a gravidez. A avaliação precisa ser individual.

O tratamento pode mudar mais do que os sintomas daquele dia

Essa é provavelmente a principal diferença entre imunoterapia e os medicamentos usados para controlar uma crise alérgica.

Antialérgicos, corticoides nasais e outros medicamentos continuam sendo muito úteis. Eles controlam manifestações da doença. A imunoterapia tenta interferir em uma etapa anterior, modificando a reação imunológica ao alérgeno.

Nos pacientes que respondem bem, isso pode significar menos sintomas, menos crises e menor necessidade de medicamentos ao longo do tempo. Em alguns casos, a doença entra em remissão e parte do efeito permanece depois que a imunoterapia já foi encerrada.

Não é um tratamento rápido. Também não é simplesmente uma série de injeções ou gotas que o paciente recebe durante alguns meses.

Existe uma investigação antes de começar, uma fase em que a dose é construída, uma avaliação da resposta e, quando essa resposta aparece, uma fase longa de manutenção. É esse processo que permite que a “vacina de alergia” faça algo que os medicamentos para sintomas, sozinhos, não fazem: tentar mudar a maneira como o organismo reage ao alérgeno.